Palco

Quando eu subi no palco da vida
Não foi de destra nem de canhota
Tomei distância, vim correndo
Saltei e caí de cambalhota.
Desde então venho escrevendo
Esse drama, ora comédia:
Vitória, derrota, vitória, derrota…
Coleciono pouca glória,
Vitória, derrota, vitória.
Improviso em muitas cenas.
Derrota, vitória, derrota.
Não sei o quanto vale a pena
(AVISO: SPOILER)
Pois desde o começo eu sabia
Que na hora do Black Out
No aplauso da platéia
Na descida da cortina
Toda vida é uma tragédia.

_____________________

Ps: a ilustração que acompanha o post foi feita em caneta nanquim por Arthur F. Pádua, e faz parte do livro “O Busto de Adão e Outras Poesias!

10956989_769509016480286_6239154202094635641_o

O minuto do orvalho

Ela dorme

Lá fora, os primeiros raios de sol

Tocam de leve as pétalas

Que a primeira brisa do dia

Balançou de maneira uniforme.

O orvalho brilhou e caiu

Sem que ninguém percebesse.

Ela dorme.

Enquanto meu peito amanhece

Como alguém que renasce

Ela cresce.

No ritmo das flores

Suas pálpebras são leves

E quando um raio de sol a toca

Ela acorda feito flor que floresce.

Não abrirei a janela.

Não agora.

Sairei pé ante pé

Por hora

Vou passar um café.

Enquanto ela dorme.