A ponte

não há vencedores
ou perdedores
nesse jogo dos corpos
somos artesãos
com essas ferramentas de carne
construímos juntos
poemas, pontes
poentes.

te penetro a carne
e teus gemidos penetram em mim
nenhuma distância separa o éter
(um abraço de corpos abraça o mundo)
lançamos os pés na terra
no mais profundo
raízes
nossos corpos são água
nossa sede, nossa vida
nossos olhos refletem as cores
matizes

nesse jogo de corpos
ardemos no mesmo fogo
importa saber quem o ateia?
não
à alma não interessa
saber do sangue que corre na veia
do calor da carne, da ereção
à alma interessa o que vibra
a melodia de cada som

com nossos instrumentos de carne
escreveremos canções
a cada toque de pele
encontraremos escalas
regidas por movimentos
sublinhadas por respirações
até que os anjos as ouçam
atravessem essa ponte
e unam-se a nós
no mesmo poema
no mesmo tom
no poente

Long Distance Blues

Talvez um beijo fira mais que a ausência
E a distância, antítese do abraço
Seja nossa forma de permanência
Diferentes canções no mesmo compasso

Há vida na arte do desencontro
Embora tenhamos nos encontrado
Foi onde morri recostado em teu ombro
A arte da vida é morrer tendo amado

De longe renasço e vejo que cresce
Em viço, cores, aromas e prece
Sinto a tua presença e te alimento

Teu riso me faz sentir alegria
Permite-me o sonho de que algum dia
Ausência não seja nenhum ferimento

Soneto Místico

maxresdefaultMergulha na luz que vem do Oriente
Emerge na terra que te produziu
Flutua na água, domina a corrente
Reflete no fogo a centelha anil

Encontra a magia que anima o ser
Lapida essa pedra, tal nobre artesão
Deita-te em núpcias, sagrado prazer
Revive em carne, amor, comunhão

Dentro do espelho há mais que um portal
Servindo ao mundo descobrirás
O domínio da vida através do amor

E verás que a Cruz não é só do Senhor
Saberás da balança, do bem e do mal
E no teu coração abrirá uma flor

Blues e Poesia na 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto

Sábado, dia 18, participarei novamente da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Nessa edição, representarei minha cidade ao lado dos Acadêmicos da APC, na qualidade de Membro Honorário. Em nossa mesa, pretendo contar um pouco da história do blues e como esse gênero musical influenciou não só minha música, mas também minha escrita. Alguns poemas d’O Busto de Adão serão recitados, sublinhados e/ou intercalados por clássicos do blues de Robert Johnson (sim, vou levar um violão para a Feira do Livro!). Ah, atualizei a AGENDA, mas fiquem de olho, semana que vem tem mais novidades musicais!

Clique no link abaixo para acessar a programação completa do evento!

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Abraços, e até lá!

Joana – O Minuto do Orvalho

Hoje recebi um exemplar do 2º Anuário da Nova Poesia Brasileira, onde, conforme eu disse aqui anteriormente, o poema que escrevi para minha filha Joana em agosto de 2015 foi publicado. Além da satisfação, da sensação de dever cumprido, recebi uma dose extra de combustível: o Certificado de Qualidade Literária, com direito à medalha!

Quero nesse post expressar minha gratidão à Literaria Academiae Lima Barreto/RJ e à Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Ah, agradecimentos ultra especiais à minha filhota Joana, por me inspirar a escrever o singelo poema!

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Morrer de amor

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Se for para eu morrer de amor
Quero morrer de morte bem lenta
Mas que seja assim, violenta
Quiçá considerada brutal

Uma morte de amor sobrenatural
Mas que demore uma eternidade
De agonia, sem piedade
De orgia, de suplício transarino

E se para eu morrer de amor
Tiver mesmo que aparecer sangue
Quero que seja (não se zangue)
Tipo assim, um filme de Tarantino.