Anistia

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É preciso que os homens se compadeçam dos anjos
É preciso que se restitua a cegueira plena aos corações
Uma revascularização nas artérias dos sonhos
Esse tecido embrutecido pelos contratos e códigos
É preciso tapar nossos olhos às flores e aos abismos
Para darmos crédito aos poetas que já gozam da fortuna
De uma irreversível catarata cardíaca

É preciso que neguemos as oferendas
E que perdoemos as dívidas que impusemos aos deuses
Para que esse outono desvairado
Deite folhas secas dos cartórios divinos
Timbradas com um carimbo de sangue escrito “perdão”
Para que as recolhamos num ato de amor
Ou as trituremos com os pés, como quem diz:
“Não há o que se perdoar”

É preciso que essa cegueira se espalhe
Para que a humanidade se tateie
Se apare pelos braços a cada queda
Se puxe para a superfície ou se afogue junto
De mãos dadas, em busca da mesma justiça
Do mesmo abrigo, do mesmo pão
Ou da liberdade, se houver liberdade
Entre essa terrível cadeia de irmãos

Contudo, será preciso
Que se adube o solo com lágrimas de amor
Com as folhas timbradas de Deus
Com os tecidos dos corpos, sonhos das almas
Com tudo aquilo que tivermos em mãos, calos
Para que a próxima primavera
Seja enfim a primavera primeira

Remoção

É preciso arrancar essa flor-de-lis
Marcada a ferro quente
É preciso amanhecer um novo dia
Com uma nova cicatriz
Mesmo que custe um corte rente
Aos ossos
É preciso arrancar pela raiz
E suportar uma nova dor
Superar essa marca ardente
Talvez arrancando-a do couro
Essa marca também se apague
No coração de quem a desenhou.

Concurso de Contos em Salamanca, Espanha: Publicação e certificado.

Algumas semanas atrás eu estive aqui comunicando o resultando do primeiro concurso de relatos breves Cuéntame un Cuento, promovido pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, Espanha.

Na ocasião, fiquei muito feliz em saber que meu conto “O mandado de prisão” foi selecionado como primeiro finalista (LINK). Não bastasse essa alegria, fui surpreendido essa semana com um belo certificado e com o contrato de edição, o que marca minha estréia no gênero de contos: a antologia será publicada em e-Book, e o contrato já está entregue devidamente assinado!

Assim que o livro ficar pronto, prometo trazer o link para que todos possam ler!

Abraços, com meus votos de paz, equilíbrio e literatura sempre!

Bruno Félix.

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Foto: meu escritório hoje.

Testando uma Olivetti Lettera 82 MUITO nova, toda original, presente de um grande amigo. E saiu poesia? Sim, claro! Mais tarde eu publicarei. Por enquanto, deixo aqui a foto da nova parceira de escrita, que aliás superou em muito minhas expectativas: muito macia e silenciosa, caracteres em perfeito alinhamento, leve e fácil de transportar (é aquele modelo de maleta plástica).

Enfim: uma simpática e educada companhia.

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