Anistia

leaves_in_the_darkness_by_geo_devin-d5wx35e.jpg

É preciso que os homens se compadeçam dos anjos
É preciso que se restitua a cegueira plena aos corações
Uma revascularização nas artérias dos sonhos
Esse tecido embrutecido pelos contratos e códigos
É preciso tapar nossos olhos às flores e aos abismos
Para darmos crédito aos poetas que já gozam da fortuna
De uma irreversível catarata cardíaca

É preciso que neguemos as oferendas
E que perdoemos as dívidas que impusemos aos deuses
Para que esse outono desvairado
Deite folhas secas dos cartórios divinos
Timbradas com um carimbo de sangue escrito “perdão”
Para que as recolhamos num ato de amor
Ou as trituremos com os pés, como quem diz:
“Não há o que se perdoar”

É preciso que essa cegueira se espalhe
Para que a humanidade se tateie
Se apare pelos braços a cada queda
Se puxe para a superfície ou se afogue junto
De mãos dadas, em busca da mesma justiça
Do mesmo abrigo, do mesmo pão
Ou da liberdade, se houver liberdade
Entre essa terrível cadeia de irmãos

Contudo, será preciso
Que se adube o solo com lágrimas de amor
Com as folhas timbradas de Deus
Com os tecidos dos corpos, sonhos das almas
Com tudo aquilo que tivermos em mãos, calos
Para que a próxima primavera
Seja enfim a primavera primeira

Lançamentos agendados!

A Menina e o Equilibrista, meu segundo livro, já tem as datas de lançamento definidas: Dia 19/04, no Unico Lounge Bar em São Sebastião do Paraíso/MG, o lugar mais aconchegante da cidade, ideal para falarmos de coisas amenas como literatura e cheiro de livro novo!

Clicando na imagem abaixo, você será redirecionado para a página do evento, onde constam todas as informações!17390599_270165403440688_1327815085610414834_o.jpg

Na sequência, seguirei para Poços de Caldas, dia 06/05, onde o livro também será apresentado e autografado durante um dos maiores e mais importantes festivais literários do país: o FLIPOÇOS (clique na imagem para visitar o site oficial e conhecer toda a programação, que, como de praxe está incrível):

17798919_1323595027707931_660429760061613917_n.jpg

Nos vemos lá!

Abraços!

Flipoços 2016 – Momento Poético

Acabo de chegar em casa após participar da 11ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas & Flipoços 2016. Lá, tive a honra de apresentar o Momento Poético ao lado do poeta Maurício Vieira, que atualmente reside em Paris. Em nossa mesa, intitulada Orfeu do Blues – da poesia grega aos menestréis do Mississippi,  traçamos uma linha de conexão entre a lira de Orfeu e a guitarra do delta blues, entre Hades e a Encruzilhada, para enfim chegarmos às nossas principais influências na escrita e finalmente a alguns poemas nossos.

Musicalmente, fomos acompanhados por Lorinho, grande músico Poços-Caldense que tive o prazer de conhecer na ocasião.

Voltei impressionado com a organização do evento, que além de receber a todos com extrema atenção e boa vontade, mantinha tudo fluindo na mais perfeita harmonia: horários da vasta programação cultural seguidos à risca, espaço SESC Flipoçinhos com teatro, contação de estórias para crianças além de outras atividades, palestras master de peso (tivemos a oportunidade de assistir à Monja Coen e aprender muito! – foto) e muitos convidados, editores, escritores, enfim, o prato cheio para bookaholics e afins.

Algumas fotos da apresentação do Orfeu do Blues, você pode conferir clicando na foto abaixo (aproveite e curta a página!):

Obrigado pela visita, e até a próxima!
Abraços poéticos,
Bruno.

FLIPOÇOS 2016

No dia 03 de maio estarei na 11ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas/MG, compondo a mesa do momento poético ao lado do poeta Maurício Vieira. O nome da mesa é “Orfeu do Blues: da poesia grega aos menestréis do Mississippi.” Creio que o nome já transmite uma ideia bastante ampla sobre como se desenrolará esse bate papo, mas vale lembrar que haverá um violão ou dois, um bottleneck e alguns bons e velhos riffs do delta blues!

Ah, para a ocasião, Maurício e eu escrevemos um poema em parceria, que já adiantarei aqui no blog. Um Blues para Mariana:

Daqueles olhos cheios d’água
Uma lágrima desceu em seus lábios
Lábios que são pétalas de rosa,
A lágrima virou orvalho

Eu pensava em levá-la para longe
Dos homens que só a machucavam
Sem carinho só promessas
Cada dia um pouco mais

Toda aquela água me lembrava o mar
Olhos tempestuosos onde navegar eu temia
Quisera eu poder interromper aquela mágoa,
Com meu dedo no dique, estancar sua ferida

Mas suas fissuras eram profundas demais
De tanta pressão daqueles homens sem amor
Um dia ela simplesmente não aguentou mais
As águas de mariana se fizeram mar

  II

Ah, Mariana! Quem te viu, quem te vê
Que sina insana te feriu, e por quê?
Emprestaste ao mundo tua beleza
Em troca, recebeste apenas desprezo

Tua beleza natural foi maquiada
Aniquilada a troco de nada
Sugaram tuas riquezas
Teus anos dourados

Quantos bilhões valeriam teus olhos?
Pois eu daria o ouro do mundo inteiro
Para devolver-te o brilho de outrora.

Sim, eu daria minha vida
Minha poesia leviana
Só para ver sorrir Mariana

teaser_2