Carminha Dolores

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O sonho dela era ser cantora
Lírica
Desde pequena, cresceu pequena
Querubim
Carmen, Carminha
Vivos lábios carmim
Voava a vida
Entre aromas de jasmim
Cuida da mãe
Triste criança sem pai
Sonha sozinha
Esfrega a casa
De cada vizinha
Recolhe a migalha de cada patrão
Recobre o corpo
Protege a honra
Chora sozinha
O sonho dela era
Um sonho de amor,
Talvez
O amor não exista.

Será o amor
Aquele bicho incoerente?
Que baforou obscenidades
Ameaças, feridas, urros
Dores e dores mais
Dolores
Dona de sonhos tão vivos
A mãe morta coberta de flores
O ventre crescido
E uns poucos penhores
Voa, Carminha, voa
Nas asas de um querubim
Envelhece sem pátria
Sem muitos sabores
Mas assume-te Carmem!
Com todas as rugas
Com todos os calos
Voa!

Sorrindo um riso carmim
O perfume da pele
É o mesmo jasmim
E o sorriso do filho
Só te sente o amor
Não te sabe o passado
E só te sabe aplaudir
Pelas pernas que tem
Pernas que a ele o destino negou
Empurra teu filho,
Mas canta!
Canta, Carmen
Canta, que o público te ama
O melhor público que já existiu
Que te aplaude com braços frágeis
E um sorriso maior que as partituras
Sorri, Carmem!
Sorri para a vida que
Diga lá, não foi tão dura
Nesse imenso palco
Onde mãe e filho cantam
Um jardim de lírios
Sem que lágrimas molhem as flores

Haikai Novamente

Não resisti. Não sei se foi por reler Paulo Leminski essa semana, ou se foi pelas últimas postagens minhas sobre Haikai, me flagrei hoje “namorando” uma das páginas que mais gosto de meu próprio livro.

Deu até vontade de propor aqui um jogo, de cada um relatar a própria interpretação desses dois Haikais que dialogam não só com os respectivos títulos, mas também com as ilustrações de Arthur Pádua, que têm o poder de levar o leitor por um caminho que o poeta talvez não tenha pretendido. Alguém arrisca um palpite? Depois eu conto o que eu senti (e pretendi) ao escrever cada verso.

Ah, quem quiser um exemplar do livro, pode clicar AQUI.

Abraços poéticos,

Bruno Félix

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Por que gosto de Haikais

A delicadeza da construção, o minimalismo silábico que precisa fundamentalmente expressar um estado natural à maneira de uma pintura ou fotografia. São características do Haikai que me encantam, como se desafiassem o poeta ocidental a um duelo samurai ou a um ritual do chá.

Ontem escrevi dois Haikais que, muito embora desafiem o propósito original da arte (o retrato instantâneo da natureza), trazem um turbilhão (a meu ver) de significância.

No primeiro, a desconstrução da palavra no segundo verso, leva a uma reconstrução em duplo significado no último:

 

Já no segundo Haikai, a imagem acústica formada em nosso cérebro pelo emprego da palavra “sonho”, é reconstruída nos versos seguintes.

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Haikais em Technicolor: Colorindo o dia a dia com minimalismos poéticos.

Em meu livro de poesias (LINK), há um pequeno capítulo dedicado à arte do Haikai.

Espero que tenham gostado o tanto quanto eu (pai coruja)!

Abraços,

Bruno Félix

 

Dia do Escritor

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Foi exatamente agora, às 13:00h do dia 25 de julho de 2016 que descobri que hoje comemora-se o Dia Nacional do Escritor.

Deveria ser Feriado Nacional. Justifico com uma frase de José Saramago que sempre cito quando estou a fazer alguma apresentação literária: “Somos todos escritores, só que alguns escrevem, outros não”. Por isso digo que um feriado viria bem a calhar, pois todos precisamos de uma pausa e claro, uma homenagem no calendário.

Um feriado onde a leitura de um bom livro fosse obrigatória. Facultativo apenas o gênero literário, afinal é a diversidade de opiniões que nos torna todos escritores, não é mesmo?

Em uma palestra de Monja Coen, escritora que tive a honra de encontrar pessoalmente na Flipoços 2016, ela disse que quando discorda de algum escritor, ela escreve. E com um sorriso no rosto, concluiu: “Bonito isso, não é mesmo?”

Somos todos humanos, escreveremos sempre por linhas tortas. E seremos sempre leitores.

Bom, já sabem que adoro citações (quando concordo com elas, é claro), por isso quero encerrar essa singela homenagem com uma especial sobre o tema. Inspirem-se com o mestre Pablo Neruda: “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias.”

Abraços,

Bruno Félix

 

 

 

Flipoços 2016 – Momento Poético

Acabo de chegar em casa após participar da 11ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas & Flipoços 2016. Lá, tive a honra de apresentar o Momento Poético ao lado do poeta Maurício Vieira, que atualmente reside em Paris. Em nossa mesa, intitulada Orfeu do Blues – da poesia grega aos menestréis do Mississippi,  traçamos uma linha de conexão entre a lira de Orfeu e a guitarra do delta blues, entre Hades e a Encruzilhada, para enfim chegarmos às nossas principais influências na escrita e finalmente a alguns poemas nossos.

Musicalmente, fomos acompanhados por Lorinho, grande músico Poços-Caldense que tive o prazer de conhecer na ocasião.

Voltei impressionado com a organização do evento, que além de receber a todos com extrema atenção e boa vontade, mantinha tudo fluindo na mais perfeita harmonia: horários da vasta programação cultural seguidos à risca, espaço SESC Flipoçinhos com teatro, contação de estórias para crianças além de outras atividades, palestras master de peso (tivemos a oportunidade de assistir à Monja Coen e aprender muito! – foto) e muitos convidados, editores, escritores, enfim, o prato cheio para bookaholics e afins.

Algumas fotos da apresentação do Orfeu do Blues, você pode conferir clicando na foto abaixo (aproveite e curta a página!):

Obrigado pela visita, e até a próxima!
Abraços poéticos,
Bruno.