Haikai Novamente

Não resisti. Não sei se foi por reler Paulo Leminski essa semana, ou se foi pelas últimas postagens minhas sobre Haikai, me flagrei hoje “namorando” uma das páginas que mais gosto de meu próprio livro.

Deu até vontade de propor aqui um jogo, de cada um relatar a própria interpretação desses dois Haikais que dialogam não só com os respectivos títulos, mas também com as ilustrações de Arthur Pádua, que têm o poder de levar o leitor por um caminho que o poeta talvez não tenha pretendido. Alguém arrisca um palpite? Depois eu conto o que eu senti (e pretendi) ao escrever cada verso.

Ah, quem quiser um exemplar do livro, pode clicar AQUI.

Abraços poéticos,

Bruno Félix

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Malabarismos

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O excesso explicado através do mínimo.

Por isso escolhi um Haicai para ilustrar o momento:

Há duas semanas mergulhei de cabeça no projeto literário mais gostoso que já fiz até hoje, motivo de minha ausência por aqui. Enquanto me divirto com o malabarismo de conciliar trabalho, família, música, faculdade e escrita (meu heterônimo tem exigido textos diário e pontuais), tive o insight desse belo Haicai que datilografei assim que o tempo me permitiu.

PS: dia quente e corrido aqui no sudoeste de Minas Gerais.

Abraços múltiplos,

Bruno Félix

Dia do Escritor

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Foi exatamente agora, às 13:00h do dia 25 de julho de 2016 que descobri que hoje comemora-se o Dia Nacional do Escritor.

Deveria ser Feriado Nacional. Justifico com uma frase de José Saramago que sempre cito quando estou a fazer alguma apresentação literária: “Somos todos escritores, só que alguns escrevem, outros não”. Por isso digo que um feriado viria bem a calhar, pois todos precisamos de uma pausa e claro, uma homenagem no calendário.

Um feriado onde a leitura de um bom livro fosse obrigatória. Facultativo apenas o gênero literário, afinal é a diversidade de opiniões que nos torna todos escritores, não é mesmo?

Em uma palestra de Monja Coen, escritora que tive a honra de encontrar pessoalmente na Flipoços 2016, ela disse que quando discorda de algum escritor, ela escreve. E com um sorriso no rosto, concluiu: “Bonito isso, não é mesmo?”

Somos todos humanos, escreveremos sempre por linhas tortas. E seremos sempre leitores.

Bom, já sabem que adoro citações (quando concordo com elas, é claro), por isso quero encerrar essa singela homenagem com uma especial sobre o tema. Inspirem-se com o mestre Pablo Neruda: “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias.”

Abraços,

Bruno Félix

 

 

 

A criação em quatro noites

Era a música complexa
Demais para a noite
Para as criaturas da madrugada
E Deus disse: “Haja Blues”
Deus ouviu que o Blues era bom,
Viu que dançavam, bebiam, fumavam,
Amavam no embalo do som
Assim foi a primeira noite

Então Deus separou o simples
Do sofisticado. Deu a estes o sopro
E um belo teclado. Deu mais swing nos pés
E disse maravilhado: Faça-se o Jazz.
Passaram-se tarde e manhã
E nasceram mais melodias
Deus viu que aquilo era bom
Que a Criação era sã

Ora, Deus não quis que perdessem
Aquela bela harmonia no ar
Então no terceiro dia
Disse: “Ajuntem tudo num só lugar
As harmonias e melodias dos homens
Encham discos com as canções
Que sejam férteis e multipliquem-se!
Encham a Terra com a Boa Música.”

E Deus viu tudo o que havia feito
E tudo havia ficado muito bom
E na quarta noite a criação
Por si só fez um novo toque
E Deus, ouvindo tal emoção
Abençoou o inédito Rock
E dizendo assim o santificou:
Let there be rock! Let it roll, baby, roll

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Poker Face: O Rio, A Vida e o Ventilador.

É chegada a fatídica hora
De jogar tudo no ventilador
De colocar as cartas na mesa
A hora é sempre, é quando, é agora.
E o que a vida me deu?
Heróis.
Na mão, um par de ases
Diamante e Coração
A ansiedade agora corrói.
Mas a vida, ah, a vida
Logo no flop me fez iludir
Mostrou-me Valete, Rei e Rainha
Heróis
Espada, Coração e Diamante
Fizaram-me feliz o semblante
Não soube jogar.
Eu teria ao final um flush?
Hush, hush…
hush hush somebody’s calling my name
O amanhã trouxe
Sombrio turn
Now I’m not the same…
Mas a vida, me deu esperanças
Me deu coragem
E falsas lembranças
O Rei mente,
A Dama finge
Mas eu tenho meu par de ases
E a vida quis dar-me asas.
Decifra, ou sucumbe à esfinge!
Joga!
Joga alto!
Aposta teu sonho
Tuas escolhas
Não te encolhas
Sonha, joga, vive!
E joguei.
Com todas as forças, joguei.
E agora, o Rio se abre
Vim até aqui cantando:
Take me to the river
And wash me down
Mas no rio, amigos,
Não há Ases:
Há Valete de Paus.
Não fiz o meu jogo
E o mundo sorri.
É chegado o fatídico dia.
Eu caminhava sob um sol frio
Na mente, toda a poesia
Que agora transcrevo.
Não há mais fichas.
Já não acredito no Rei
Que Dama e Valete finjam
De minha parte, não fingirei
Não mais pedirei que alguém jogue
É hora de me levantar
Sacudir o smoking
Com a dignidade de um bom perdedor.
Hei de sair por onde entrei.
Passarei de cabeça erguida sem fitar o guichê
Na saída pretendo apenas tirar as mãos suadas dos bolsos
E descansar um minuto
Embaixo do ventilador.

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Blues e Poesia na 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto

Sábado, dia 18, participarei novamente da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Nessa edição, representarei minha cidade ao lado dos Acadêmicos da APC, na qualidade de Membro Honorário. Em nossa mesa, pretendo contar um pouco da história do blues e como esse gênero musical influenciou não só minha música, mas também minha escrita. Alguns poemas d’O Busto de Adão serão recitados, sublinhados e/ou intercalados por clássicos do blues de Robert Johnson (sim, vou levar um violão para a Feira do Livro!). Ah, atualizei a AGENDA, mas fiquem de olho, semana que vem tem mais novidades musicais!

Clique no link abaixo para acessar a programação completa do evento!

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Abraços, e até lá!

Joana – O Minuto do Orvalho

Hoje recebi um exemplar do 2º Anuário da Nova Poesia Brasileira, onde, conforme eu disse aqui anteriormente, o poema que escrevi para minha filha Joana em agosto de 2015 foi publicado. Além da satisfação, da sensação de dever cumprido, recebi uma dose extra de combustível: o Certificado de Qualidade Literária, com direito à medalha!

Quero nesse post expressar minha gratidão à Literaria Academiae Lima Barreto/RJ e à Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Ah, agradecimentos ultra especiais à minha filhota Joana, por me inspirar a escrever o singelo poema!

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