Responsabilidade

Tenhamos o mínimo de decência e patriotismo. Dizer que o mal do Brasil é o brasileiro, que na Europa os programas sociais funcionam porque lá moram europeus não vai mudar nada por aqui. Eles estão sendo educados há séculos, e nós, há poucas décadas. Urge nossa necessidade de educação. Patriotismo é olhar para os famintos e desalojados e dizer que sim, isso é problema meu. “Mas e quanto a essa vagabundo, sem educação alguma, esse bandido? A culpa é dele, ele que se foda, pois é um câncer da sociedade. Não é problema meu.” Pois eu estou aqui para dizer-lhe, meu caro compatriota, que está enganado. É problema seu sim. E meu. Tenhamos dignidade. O Brasil arrecada impostos sim, toda nação necessita disso e a falha está em como se aplica (ou se desvia) esse montante.
Há incontáveis anos nos ensinaram a odiar os pobres, e o pior: colocaram na cabeça da “classe média” que ela ficará rica pisando nos pobres. Que querem pegar nosso dinheiro e dividir. Estou aqui, meu caro concidadão, para lhe assegurar que o discurso comunista está errado no que prega que se mate a galinha para dividir-lhe a carne. É preciso manter a galinha viva, trabalhando para repartirmos os ovos. Esse é o discurso. Quer que tudo funcione? Substitua seu ódio por ações eficazes de fiscalizar e exigir justiça quando pegarem sua parcela de responsabilidade (entenda impostos) pelos famintos, desalojados e carcinomas sociais e não derem o destino correto.
Prendam todos os bandidos.
O verdadeiro câncer da sociedade não nos assalta à mão armada.

Há um blues em cada esquina

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Existe um blues escondido em cada tapa
E nos olhos que se abrem de manhã sem ver um pão
Em cada dose que abrevia a vida ingrata
Existe um blues em cada esquina esperando uma canção

Está nos pés descalços que sangram na calçada
Está no corpo dolorido que não conhece um colchão
Está na fome que atravessa a madrugada
Existe um blues em cada esquina esperando uma canção

O jornal já não sente o que retrata
Enquanto algum poeta espera pela inspiração
Todos os dias a polícia morre e mata
Enquanto o blues de cada esquina não encontra uma canção

Está no corpo da menina explorada
Está na vida limitada pela falta de instrução
E tudo isso ecoa pela madrugada
Existe um blues em cada esquina esperando uma canção

O egoísmo e a intolerância matam
O poeta é um verme rastejando pelo chão
Num banquete os políticos se fartam
Eu ouço um blues em cada esquina, esperando uma canção